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Cadê a Humanidade na Internet?

Se você é humano e preguiçoso, não leia este texto – ele é longo e complexo demais para seu ego interior.

Os benefícios da humanidade pelo avanço da tecnologia vão longe. Desde que me lembro, os filmes de ficção retratam robôs imitando pessoas e computadores falando espontâneamente com humanos.

Pensando na linha conspiratória eu falaria que esta “ficção” é apenas um retrato do cotidiano do(s) autor(es): a ficção está associada diretamente com a personalidade humana. Os robôs (neste caso) são necessários para suprir a carência do ser humano.

Como os avanços na tecnologia, a internet também segue esta mesma linha de “evolução”: o estímulo a relacionamentos on-line. Não que isso seja ruim – pelo contrário – mas quando começamos a nos relacionar no mundo digital há a tendência do congelamento das relações presenciais. Em outras palavras, nós começamos a dar mais valor a Twitter / Orkut / Facebook & Cia que valorizar o ser humano. Querendo ou não, isto causa também o congelamento das emoções, nós começamos a ficar frios, falar mal sem medir consequências e “Trollar” marcas e pessoas se torna algo cotidiano.

As provas dessa frieza emocional são as críticas à inclusão digital por meio de blogueiros, twitteiros e até orkuteiros (quem diria). Pessoas pobres (talvez nem tanto) são criticadas, humilhadas pelo fato de estarem saboreando a internet de forma correta, compartilhando e criando conteúdos. Se a qualidade é boa ou não, não nos interessa; o que importa é que o Zequinha do Paraná – exemplo galera, exemplo – trabalhou, comprou sua webcam e seu computador Positivo – meu notebook é Positivo, ok? – e se divertiu com as ferramentas sociais disponíveis.

Este tipo de Trollagem é muito utilizado, pois ainda há pessoas que acreditam na elitização da internet. Gente, a Internet não é e nunca será algo elitizado. A realidade brasileira permite dizer que é algo para poucos, porém isso não é seletivo o suficiente. Se a Internet é cada vez mais compartilhada, por que ainda existem pré conceitos em relação ao público on-line?

Agora mudando de exemplo para vida real, vou contar uma história que talvez tenha um final feliz:

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Era uma vez um rapaz chamado Lucas. Lucas é jovem e trabalhador, porém humilde (financeiramente). Estuda e trabalha como radialista e professor e mora em Luzilândia/PI.

Graças a inclusão digital – aquela que nós internautas mais experientes gostamos de lembrar sempre – ele resolveu entrar neste mundo e conseguiu comprar um computador e uma câmera. Lucas é um trabalhador muito inteligente e um professor dedicado (sic), aprendeu a utilizar as redes sociais e começou a produzir conteúdo próprio.

Os primeiros conteúdos foram fotos com temas “sensuais” para seu Orkut pessoal. Lucas não é nenhum padrão de beleza – não mesmo – e por isso suas fotos que eram a princípio só dele começaram a “viralizar” (leia-se trollagem alheia).

Piores fotos do Orkut“, “Melhores fotos do Orkut“, “Olha isso” são alguns termos mais utilizados para zombar da pobreza alheia na internet. O resultado disso foi o estímulo na produção de mais conteúdos pelo Lucas. Materiais cada vez mais fora dos padrões que costumamos a ver (leia-se “materiais ridículos”). Com isso, este rapaz começou a ganhar sua fama e se auto denominar “Lucas Celebridade“. Hoje ele é a “Stefhany (do CrossFox) de 2010″.

Apesar das críticas, ele conseguiu visualizações suficientes para cada vez mais indignar pessoas e chamar a atenção para si, garantindo seu tão sonhado sucesso.

Com os exageros de críticas, grandes twitteiros como @morroida, @gravz, entre outros, resolveram promover a campanha “Trollagem do Bem” na qual tinha como objetivo ajudar de qualquer maneira o Lucas Celebridade a ter uma vida melhor.

Segunda-feira, dia 09/08/2010, Lucas Celebridade ficou por horas entre as palavras mais twittadas da rede social. Grandes blogueiros/twitteiros como Rosana Hermann, O Imperador, Rafinha Bastos e Gabriela Bianco promoveram seus vídeos e a campanha. Enfim, este rapaz de apenas 25 anos que mora em Luzilândia/PI, virou celebridade oficial.

Conheça um pouco mais sobre Lucas Brito ou Lucas Celebridade (como quiser):

O Vlogueiro do Sertão:


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Esta é uma história real. Uma pessoa/personagem real que sofre pré conceitos e barreiras ao utilizar a web. Por isso eu pergunto, cadê a humanidade na Internet?

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Comments

  1. Talitta says: August 11, 2010

    Internet elitizada? Não mesmo.. Esse lance da ruptura das relações presenciais e emocionais é verdade, e sério. Acho que os pais, por exemplo, não devem proibir a internet, mas também não podem abrir mão que seus filhos joguem futebol com os amiguinhos na rua.
    E na rede a gente acha muita porcaria, muita gente querendo aparecer, mas também tem muita coisa legal, essa “Trollagem do Bem” é um exemplo.
    Belo post, e viva o Lucas Celebridade! Haha

  2. Rafael says: August 11, 2010

    Ericson, nem computador o Lucas tem cara. Ele vai na Lan House e pede pra pessoas da cidade patrocinarem o “muso”.

    Muita gente falou mal da campanha pra ajuda-lo. Disseram que deveriamos estar ajudando quem é mais pobre. Porém disseram isso e não levantaram a bunda da cadeira.

    Brasileiro é bom, mas tem uns que estragam.

    Abs

  3. rafaela santos alves says: September 20, 2010

    eu ti amo

  4. Ueritom says: December 13, 2010

    Bem, no caso dele, apesar de tudo, ele acabou “se dando bem”, não?rssr

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